Em 1992 Darcy foi eleito para a Academia Brasileira de Letras. No Senado Federal, foi o idealizador da nova Lei de
Diretrizes e Bases da Educação, aprovada em 1996. Embora já estivesse bastante
doente, não parava de trabalhar e de desenvolver projetos. Criou a Universidade
do Norte Fluminense e concluiu, entre outros livros, sua obra prima, "O povo brasileiro".
Ainda teve tempo de projetar, já nos
últimos dias de sua vida, um plano de desenvolvimento autônomo para a Amazônia,
que ele denominou de Projeto Caboclo. Para Darcy, era preciso
criar um programa econômico de exploração sustentável para os próprios moradores
das florestas.
Ele continuava participando ativamente da
política brasileira, criticando a permanente dependência internacional do país,
tanto financeira quanto cultural. Darcy estava plenamente convencido de
que o Brasil necessita de um projeto independente de desenvolvimento nacional,
que não se submeta aos interesses do capital financeiro internacional.
Pode ser até compreensível que um país
pequeno, sem potencialidades assinaláveis, se conforme com a fusão no colosso
globalizante, porque sendo isso inevitável, o melhor é relaxar para tirar algum
proveito. Mas esse não é, evidentemente, ele afirmava, o caso do Brasil.
Julgava fundamental incorporar todo o
povo brasileiro à civilização letrada, "o que jamais se fará com a
desastrosa invenção brasileira que é a escola de turnos. O mundo civilizado só
conhece escolas de dia completo, para professores e alunos. Só nelas a criança
oriunda de família sem escolaridade pode ter condições de progredir".
Também considerava imprescindível fazer
uma reforma agrária verdadeira, que assente em terra própria milhões de
famílias que nosso sistema econômico não pode empregar nas cidades,
famílias cujo futuro está em manter-se no campo ou reverter-se a ele, para
ali alcançar prosperidade.
Depois de vencer por tantas vezes a doença que o consumia, da qual ele
várias vezes já tinha até zombado, Darcy Ribeiro faleceu no dia 17 de fevereiro
de 1997, aos 74 anos, deixando um vazio insuperável, não só no Brasil,
mas em toda a humanidade.
