EDUCAÇÃO E POLÍTICA

A morte trágica de Getúlio Vargas despertou a consciência política em Darcy, especialmente seus ideais nacionalistas:
     " - A notícia do suicídio de Vargas caiu em mim como uma bomba. Sobretudo a Carta-Testamento, o mais alto documento jamais produzido no Brasil. O mais comovedor, o mais significativo. Desde que eu o li, ele é para mim a carta política pela qual eu me guio. É isso para os brasileiros mais lúcidos. Só não o é para a minoria que infelicita este país desde sempre, governando de forma corrupta, opressiva e mesquinha. Percebi instantaneamente, como de resto perceberam todos os brasileiros, que a campanha do "mar-de-lama" era uma armação da imprensa, subsidiada pelas grandes empresas estrangeiras, a fim de derrubar o presidente que estava criando a Petrobras e que anunciava a criação da Eletrobras, opondo-se a grupos estrangeiros poderosíssimos, o do petróleo e o da eletricidade".
        No final da década de 1950, durante o governo de Jucelino Kubistchek, Darcy conheceu o educador Anísio Teixeira, com quem passou a trabalhar, dedicando-se com grande afinco à causa da educação pública.
Com a construção de Brasília, planejou o sistema educacional de 1º e 2º graus da nova capital. Com o apoio dos presidentes JK e Jânio Quadros, batalhou pela criação da Universidade de Brasília. No dia da renúncia de Jânio, Darcy conseguiu que a Câmara dos Deputados, perplexa naquele momento, aprovasse a lei de criação da UnB.
No governo João Goulart, ocupou o cargo de Ministro da Educação, fazendo uma longa peregrinação pelo país para divulgar o novo plano nacional de educação e a campanha de erradicação do analfabetismo.
Com a confirmação do regime presidencialista no Plebiscito de 1963, Darcy foi nomeado Chefe do Gabinete Civil de João Goulart e iniciou a implantação das chamadas "Reformas de Base", que, em grande medida, provocaram a reação da elite política conservadora do país, que tramou o golpe militar de abril de 1964.