EXÍLIO

Depois do golpe de 1964, viveu 4 anos exilado em Montevidéu, trabalhando na Universidade do Uruguay, quando concluiu sua famosa obra "Estudos de Antropologia da Civilização", traduzida em muitos idiomas.
Foi no exílio que começou a compreender a ligação entre o Brasil e a América Latina, aprofundando-se ainda mais nestes estudos. Estava surgindo uma geração de brasileiros conscientes da sua condição de latino-americanos.
" - Qual a causa do desenvolvimento desigual dos povos americanos? Por que um país tão rico como o Brasil continua atolado na pobreza?", questionava Darcy, no final dos anos 60.
Em 1968 surgiram noticias sobre uma possibilidade de redemocratização no Brasil. As esperanças pareciam reais com a realização da histórica "Passeata dos Cem Mil", contra a ditadura, no Rio de Janeiro. Mesmo correndo risco de vida, pois era considerado "um elemento de alta periculosidade" pelos militares, Darcy voltou ao país, depois de receber as devidas homenagens da Universidade do Uruguay, pelo trabalho realizado naquele período.
Três meses após seu retorno, foi editado o famigerado Ato Institucional nº 5. O regime militar tornou-se extremamente violento, com prisões, seqüestros, torturas e assassinatos. Foi preso na Fortaleza de Santa Cruz, onde ficou por quatro meses. Foi transferido para o presídio da Ilha das Cobras, onde ficou por mais cinco meses. Suas antigas ligações com o Marechal Rondon o livraram da tortura e da morte.
Os protestos contra sua prisão surgiram dentro e fora do Brasil. Várias universidades do mundo inteiro exigiram sua liberdade, sendo que o famoso historiador inglês Arnold Toybee comentava com ironia que "um país que exila e prende pessoas como Darcy Ribeiro, deve ter uma quantidade imensa de sábios".
Submetido a um tribunal da Marinha, Darcy confessou que seu único crime era amar o Brasil e, embora absolvido das acusações que lhe foram imputadas, foi "convidado" pelas autoridades militares a se retirar do país, para mais um novo período de exílio.