Nos primeiros anos da década de 1970,
Darcy trabalhou intensamente, tanto na idealização de novas universidades pelo
mundo afora, como na publicação e na tradução dos seus livros para muitos
países, o que lhe proporcionou grande reconhecimento internacional.
Recebeu o título de "Doutor Honoris
Causa", da Universidade de Paris, ocasião em que proclamou seu irônico
discurso autobiográfico, em que analisa sua trajetória de antropólogo, educador
e político, afirmando que aquele honroso título da renomada escola francesa era
um prêmio de reconhecimento por todos os seus fracassos:
- Sou um homem de causas. Vivi
sempre pregando, lutando, como um cruzado pelas causas que me comovem. Elas são
muitas, demais: a salvação dos índios, a escolarização das crianças, a reforma
agrária, o socialismo em liberdade, a universidade necessária. Na verdade somei
mais fracassos do que vitórias em minhas lutas, mas isso não importa. Horrível
seria ter ficado do lado dos que me venceram nessas batalhas.
Em 1974, em viagem a Portugal para fazer
conferências em Coimbra, Lisboa e Porto, Darcy sente-se mal e descobre que está
muito doente. A ditadura brasileira, acreditando que ele estaria em seus
dias finais, permitiu seu regresso ao país apenas para que ele pudesse ao menos
morrer em paz na sua terra natal.
Após um tratamento cirúrgico bem
sucedido, Darcy resistiu bravamente à doença e voltou a dar trabalho aos
generais da ditadura, prosseguindo na sua incessante luta política, apesar de
todas as adversidades que surgiam no caminho.
O ano de 1976 trazia ainda mais tristezas
para Darcy, em razão das mortes de João Goulart e JK. Ele prosseguiu no
trabalho de edição de suas obras, tendo publicado, nesta época, o seu romance
mais famoso, Maíra.
Fixando-se no Rio de Janeiro para
recuperar a saúde, passou a trabalhar na campanha pela abertura
democrática no Brasil, além de continuar a desenvolver projetos para diversas
universidades do mundo e a participar de conferências na ONU.